Polícia


Sequestro de médica de Erechim foi planejado há dois anos, diz Polícia Civil

O primeiro cativeiro seria em Itá, em Santa Catarina, mas foi transferido para Cantagalo, no Paraná
23/10/2020 Correio do Povo

A Polícia Civil, através do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), divulgou novos detalhes do sequestro da médica ginecologista Tamires Gemelli da Silva Mignoni, 30 anos, de Erechim, que foi resgatada do cativeiro na noite da última quarta-feira em Cantagalo, no Paraná. Na manhã desta sexta-feira, o titular da 1ª DP de Roubos, delegado João Paulo de Abreu revelou que o plano de sequestrar a vítima, arquitetado pelo vigilante que agora está preso, foi planejado há dois anos, mas a primeira tentativa na época não teve êxito. No final da manhã de sexta-feira passada, dia 16, o arrebatamento teve sucesso.

Conforme o delegado João Paulo de Abreu, o cativeiro inicialmente seria em Itá, em Santa Catarina, na divisa com o Rio Grande do Sul. No entanto, o local foi alterado devido à repercussão do caso no RS. Em Cantagalo, cidade vizinha de Laranjeiras do Sul, onde o prefeito Berto Silva é o pai da vítima, a médica foi colocada na segunda-feira passada em uma residência alugada pelo vigilante em um bairro residencial de classe média. “As casas vizinhas são muito boas, mas a residência em que ela estava era mais desgastada pelo tempo. A locação foi por 15 dias”, observou o titular da 1ª DP de Roubos.

Antes da invasão do cativeiro, os agentes já tinham capturado o vigilante que fugiu em um Volkswagen Voyage, alugado em Chapecó, em Santa Catarina. “Ele não parou e empreendeu fuga para uma região de mata. Houve perseguição por estradas de terra e ele abandonou o veículo, mas conseguimos efetuar a prisão dele”, contou o titular da 1ª DP de Roubos.

Com o trabalho de monitoramento e inteligência, os agentes descobriram então a área onde seria o cativeiro em Cantagalo, sendo feitas buscas na região. “As equipes avistaram a residência e suspeitaram após perceberem movimentação e luzes sendo apagadas. Eles acharam estranho a conduta e decidiram adentrar o imóvel que estava com a porta fechada e o vidro teve de ser quebrado. No imóvel, os policiais perceberam uma pessoa pedindo por socorro que estava no corredor”, ressaltou.

O cativeiro

Na moradia, as portas interiores haviam sido trancadas e o veículo usado para transportar a vítima ficava escondido por uma lona preta na garagem. “No corredor colocaram um colchão e mantinham ela em cárcere”, enfatizou o delegado João Paulo de Abreu. Havia restos de comida e lixo espalhados. “Ela foi libertada pelos nossos policiais e ficou extremamente feliz, contando tudo o que se passou desde Erechim”, afirmou.

A mulher que vigiava a médica foi presa na mesma ação de resgate. “Ela foi achada no terreno vizinho, escondida atrás de um arbusto”, disse. Depois foi detido um taxista por suspeita de envolvimento no apoio logístico. O delegado João Paulo de Abreu confirmou que uma quarta pessoa foi presa nesta quinta-feira. Trata-se da esposa do vigilante, mentor do sequestro, que foi detida para averiguação. Todos os envolvidos são paranaenses. Quem efetuou o arrebatamento da vítima foi o próprio vigilante e a mulher que cuidava o cativeiro. 

A médica foi rendida e sequestrada no final da manhã da última sexta-feira após deixar o trabalho em uma unidade básica de saúde do bairro Aldo Arioli, em Erechim. A vítima ficou refém em um primeiro momento no próprio Chevrolet Equinox dela, abandonado depois na saída da cidade. A dupla criminosa rumou em um Fiat Uno direto para Itá, onde o vigilante e a mulher já tinham ficado por dois dias antes de viajarem para Erechim.

O resgate

Sobre as negociações através de três únicos telefonemas, o delegado João Paulo de Abreu frisou que o pagamento do resgate, estipulado em R$ 2 milhões, podia ser feito em duas parcelas. Os sequestradores deram uma semana de prazo e chamavam o dinheiro de “doação”. O titular da 1ª DP de Roubos esclareceu que o pai da médica não tinha condições de pagar. “Não era uma pessoa rica”, resumiu. Acreditando que o mentor do sequestro imaginava que o fato de ser prefeito e figura pública “seria possível pagar assim o resgate”.

Por fim, o delegado João Paulo de Abreu agradeceu o empenho e dedicação de todos que se envolveram nas investigações. Citou, como exemplo, a Polícia Rodoviária Federal por rastrear as estradas para mapear as rotas dos criminosos e também o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) da Polícia Civil do Paraná pela parceria nas investigações. O sucesso do desfecho foi atribuído ao “trabalho de inteligência e coleta de provas e indícios de autoria”. Até a movimentação dos sequestradores pelas ruas de Erechim pode ser refeita e comprovada após análise de horas de imagens de câmeras de monitoramento.

O trabalho investigativo prossegue pois ainda não foi identificado, por exemplo, o local do cativeiro em Itá. Os policiais civis já descobriram que o Fiat Uno foi deixado estacionado em Seara e que o Voyage, apreendido na prisão do vigilante, foi alugado em Chapecó. “Queríamos que a vítima permanecesse o menor tempo possível em cativeiro para que não sofresse todas as consequências psicológicas decorrentes de extorsão mediante sequestro, além da prisão dos criminosos”, relembrou. “Temos farto material probatório que vai resultar na condenação dessas pessoas”, concluiu. Os presos encontram-se sob cuidados da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Erechim, onde estão sendo interrogados.

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