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Remoção de Paciente com Covid-19 causa transtorno e gera polêmica em Cerro Grande do Sul

Diagnosticado com Covid-19 o paciente Paulo Brock foi internado no hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, na noite de segunda-feira, 08 de fevereiro
17/02/2021 Portal ClicR

Diagnosticado com Covid-19 o paciente Paulo Brock foi internado no hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, na noite de segunda-feira, 08 de fevereiro. Já na manhã da quarta-feira, (10) os familiares foram informados pela equipe médica que devido ao quadro de saúde o paciente precisaria de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas que naquele momento o hospital não dispunha de nenhuma vaga e por isso estava sendo buscada uma vaga em hospitais da região.

Na quinta-feira (11) pela manhã chegou a boa notícia de que em Pelotas, no Hospital Universitário São Francisco de Paula (UCPEL), um leito de UTI ficaria disponível naquele dia, a partir das 18 horas, então a equipe do hospital N. S. Aparecida fez a reserva e entrou em contato com a secretaria municipal de Saúde de Cerro Grande do Sul para que fosse feito o transporte do paciente de Camaquã para Pelotas. Iniciava neste momento uma série de desencontros de informações que, além do desconforto causado aos familiares de Paulo Brock, acabou gerando uma grande discussão nas redes sociais entre Jean Brock, filho de Paulo, e o secretário municipal de Saúde, Júlio Cesar Figueiredo Doze, o sargento Doze, com direito a troca de acusações e ofensas.

A situação ganhou ainda maiores proporções quando Jean, expôs nas redes sociais seu descontentamento com a administração municipal sulcerrograndense, sobretudo com os responsáveis pelo setor da Saúde que, segundo ele, não autorizaram a contratação de uma UTI móvel para fazer o transporte e os prazos para remoção de seu pai começaram a se esgotar, causando aflição.

“Começou um jogo de empurra, empurra entre o hospital de Camaquã e a secretaria municipal da Saúde de Cerro Grande do Sul. O hospital atribuindo essa responsabilidade para a secretaria municipal de Cerro Grande, como sempre foi feito e a secretaria dizendo que esta seria uma responsabilidade do hospital de Camaquã”, comentou o filho do paciente.

Diante do impasse Jean afirma que entrou em contato com diversas pessoas da administração municipal que poderiam tentar resolver o problema, inclusive com o prefeito, mas que ninguém atendeu efetivamente sua demanda.

“A pressão do hospital de Pelotas por haverem reservado um leito e não terem apresentado um paciente, aumentou a ponto que o Dr. Tiago Bonilha, chefe do setor lá, conseguiu uma ambulância não sei nem da onde, e fez o transporte. Final da história aconteceu que o pai deu entrada quase à meia noite, com seis horas de atraso. A gente passou por uma tarde e um começo de noite infernal não sabendo qual estado de saúde que o pai se encontrava, nem o que iria acontecer. Ninguém nos passava uma posição concreta do que acontecia. A secretaria de Saúde de Cerro Grande do Sul dizia que estava resolvendo, daqui há pouco dizia que não, depois diziam que tinham resolvido e a gente perguntava no hospital, diziam que não. Foram horas realmente desesperadoras pra nós”, contou o rapaz.

Jean questiona que este tipo de remoção sempre foi feito por Cerro Grande do Sul, conforme demonstram documentos de pagamentos efetuados pela prefeitura a empresas contratadas em 2020. Ele disse que chegou a consultar o Ministério Público e alguns advogados sobre a questão para se certificar de que estava fazendo a cobrança pelo serviço de maneira correta. Ele acrescenta que que acionou diversos agentes políticos da cidade para que se atenham aos acontecimentos e intervenham no sentido de que este tipo de situação não vire rotina.

“Graças a Deus meu pai está bem, mas uma pessoa da nossa comunidade poderia ter morrido em função de um jogo de empurra e de uma coisa que nunca aconteceu antes. Chegou a me ser dito que o transporte não seria realizado porque o custo seria muito alto, coisa de cerca de R$ 4 mil, o que não acredito que seja alto para uma prefeitura quando se trata de salvar uma vida”, considera Jean.

O que diz o secretário de Saúde

Sargento Doze

O Facebook foi o canal utilizado pelo sargento Doze para rebater as manifestações de Jean Brock. Em um vídeo postado em seu perfil da rede social o secretário chama Jean de “falador, fofoqueiro e mentiroso”.

“Eu vim aqui pra esclarecer as falácias deste rapaz, as mentiras que ele está contando pra comunidade sulcerrograndense e que não vão prosperar” inicia falando o sargento.

Ele também fez graves denúncias de irregularidades que estariam ocorrendo no setor de Saúde municipal em gestão passada. Revela que já havia sido questionado dias antes sobre estas contratações para remoções e quando verificou a legislação e os documentos se deparou com o que classificou como ‘atrocidades’.

“A saúde do município de Cerro Grande do Sul era um balcão de negócios. Não é mais. Se um dia for preciso gastar todo o dinheiro da prefeitura pra salvar uma vida, assim será feito, mas contratações ilegais e irregulares não vão mais prosperar”, denuncia.

Doze questiona, duvida e debocha de Jean afirmando que ele mente e se contradiz quando passa informações de saúde do pai ou quanto a afirmação de que pagaria se necessário pelo transporte, já que não o fez.

“Por que não pagou, então? Será que acabou o dinheiro dele? Cê já contou pras pessoas como teu pai foi parar em Pelotas? Será que a NASA transportou ele? O Titanic? Jesus pegou ele no quarto em Camaquã e transladou ele? Quem providenciou o transporte dele?”, pergunta o sargento em tom irônico no vídeo.

Doze fala que no momento que foi acionado para tratar da remoção estava em reunião com o promotor de justiça, em Tapes, e quando se desvencilhou do compromisso se deslocou para a UBS no município, onde permaneceu buscando uma solução para a demanda até que ela fosse resolvida. Ele acusa Jean de não estar preocupado com a saúde do pai e de estar tentando politizar a questão.

Em sua postagem o secretário de Saúde explica que a remoção do paciente não foi realizada pela prefeitura de Cerro Grande do Sul, porque o município não tem este serviço licitado ou contratado. Acrescentou que o município não recebe recursos de média e alta complexidade na área da Saúde, e que o paciente diagnosticado com Covid-19 estava sob responsabilidade do hospital de Camaquã, portanto regulado pelo Estado do Rio Grande do Sul.

Neste sentido, Doze garante que foi aberto um precedente histórico e importante no momento em que a remoção não foi realizada pelo município de Cerro Grande do Sul, mas pelo SAMU de Camaquã, acionado pelo hospital N.S. Aparecida, depois de sua intervenção.

Em diferentes momentos em seu pronunciamento o sargento Doze insiste nas denúncias e até convida os vereadores a instaurarem uma CPI para investigar as contratações de remoção pela secretaria de Saúde.

“A Saúde de Cerro Grande do Sul não é mais um balcão de negócios. Entendam isso. Não tem mais receita de medicamento controlado na gaveta do secretário de Saúde pra entregar pra vocês. Acabou. Não tem mais transporte como se fosse táxi para os amigos irem passear em Porto Alegre ou em outras cidades. Acabou. Vai ser transportado quem realmente precisa. Quem o médico disser que precisa”, finalizou.

Sobre os fatos ocorridos na secretaria de Saúde o secretário afirma que está abrindo um procedimento administrativo interno pra apurar responsabilidades no setor público municipal.

Tréplica

Jean Brock

Em momento seguinte a postagem do sargento Doze no Facebook, Jean Brock voltou a usar as redes sociais para se posicionar sobre os fatos, desta vez repudiando a atitude do secretário pela sua postura. Jean reclama de não ter tido informações claras no momento de angústia ou de receber alguma orientação de quem administra e lida diariamente com o setor da saúde, para que o auxiliasse na tomada de decisões.

“O que eu passei agora, nessa live do nosso secretário, é uma coisa assim… um desrespeito, ser chamado de mentiroso. Dizer que tu não fez tua parte pra socorrer teu pai. Debochar. Dizer que acabou o dinheiro. Isso aí é humilhação. Não tem outra palavra a não ser isso. Todo mundo sabe que eu não tenho influência política nenhuma, que eu não sou filiado a nenhum partido”, pondera.

Jean afirma que alguns vereadores já se manifestaram apoiando sua repulsa e que o tema será levado a debate na câmara. Ele completa dizendo que lamenta o ocorrido, sobretudo a falta de humanidade e sensibilidade da administração municipal da saúde. Também disse que trouxe o caso à tona para que o episódio não se repita com outras pessoas. Ele termina o vídeo falando diretamente ao secretário.

“Tu nem me conhece. Tu não sabe nada da minha família. Tu não sabe absolutamente nada de Cerro Grande do Sul. Tu tá tratando o povo de Cerro Grande do Sul como se fossem objetos”, concluiu.

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