Política


Ministro da Economia diz que reforma tributária ampla é “suicida” e saquearia meio trilhão de reais da União

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que ainda há perspectiva para se fazer reformas interessantes
28/05/2021 O Sul

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou a reforma tributária ampla, que classificou como “suicida”, e disse que a proposta que criaria um fundo de compensação para possíveis perdas de arrecadação de estados e municípios saquearia meio trilhão de reais.

Apesar disso, ele afirmou que ainda há perspectiva para se fazer reformas interessantes, relativamente rápido, ainda em 2021.

“Resisti de entrar numa reforma tributária suicida, que ia tirar meio trilhão do governo federal, quebrar a União e tentar um acordo que ia muito além das responsabilidades do ministro da Fazenda”, afirmou em evento com industriais na manhã desta quinta-feira (27).

Segundo o ministro, a reforma ampla é a ideal, mas não pode ser feita às custas da União e afirmou que a insistência dos estados na formação de um fundo de compensação de R$ 400 bilhões foi o que bloqueou o avanço da proposta.

“Se os estados estão 100% a favor (da reforma ampla), vão aderir rapidamente à nossa reforma. Agora, tem que aderir sem pedir meio trilhão de compensação, porque aderir a um plano de saquear a união em meio trilhão é muito fácil”, criticou.

Guedes ainda afirmou que a União transferiu cerca de meio trilhão aos estados recentemente, citando os repasses do Fundeb, recursos para combate à pandemia da covid-19 e Lei Kandir.

“Tudo que nenhum governo fez antes, nós tivemos que fazer. Querem mais meio trilhão? Isso era um acordo entre o governador de São Paulo, o governador do Rio de Janeiro, que sofreu impeachment, e o ex-presidente da Câmara (Rodrigo Maia, do DEM-RJ), que conseguiram 100% (de adesão) dos estados em um acordo para tirar meio trilhão da União. Esse acordo é fácil. Eu também consigo aderência dos estados para qualquer coisa que eu quiser se eu der meio trilhão para eles”, afirmou.

O ministro ressaltou que a proposta do governo vai focar no passaporte tributário, para ampliar espaço de renegociação de dívidas, e simplificação de tributos.

“A União não vai deixar se assaltar em meio trilhão. Agora, tiramos esse meio trilhão da mesa e vamos ver se eles estão a favor. Se tiverem, a gente faz (a reforma) em dois meses”, declarou.

E acrescentou: “Sim, queremos, ampla, mas tem que ser prática e rápida, tem que acontecer em quatro, cinco meses. O ótimo é inimigo do bom.”

O ministro disse ainda que para avançar com a reforma, ele teve de abrir mão de pontos que defendia, como a criação de um imposto sobre transações para compensar a desoneração da folha de pagamentos.

Guedes disse que a reindustrialização do país é um dos objetivos do governo. O ministro afirmou que o ritmo de abertura da economia precisa respeitar o “patrimônio” do parque industrial nacional.

“Somos liberais, mas não somos trouxas”, afirmou o ministro, dizendo que assistiu com “muita tristeza” a redução da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB)

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