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Alzheimer: a história da música feita por neto para idoso com a doença que viralizou nas redes sociais

Vídeo do jovem com o avô viralizou nas redes sociais e tem, em menos de 24 horas, mais de 2 milhões de visualizações. Artista revela ter ficado surpreso com a repercussão.
29/11/2019 G1

No quarto de sua casa, o músico Lucas Laypold, de 20 anos, entoa a canção que fez para homenagear o avô.

No vídeo publicado nas redes sociais e que viralizou nas últimas horas, o artista tem a companhia do idoso, que mesmo com a doença de Alzheimer se recorda dos versos escritos pelo neto.


Na letra da música, Lucas fala sobre o esquecimento progressivo enfrentado pelo avô nos últimos anos. "Vê se não me esquece mais. Eu estava lembrando de lembrar você de acordar só quando o dia amanhecer. Vê se não esquece mais. Estou cantando só para te dizer que eu te amo e que a tristeza eu não sei cadê", diz a canção.

O trecho foi escrito pelo jovem que tem visto as dificuldades do avô aumentarem com o tempo, em razão da doença. "Ele tem se esquecido de parentes mais distantes. Os mais próximos, ele confunde às vezes. Ele também tem se esquecido de várias outras coisas, como os nomes de comidas que gostava muito."

Lucas relata que as músicas estão entre as maiores paixões do avô. Em razão disso, todos os dias entoa canções com o violão para o idoso, que o jovem apelidou de "Vô Cabelo". Há um mês, escreveu os versos que falam sobre a doença.

"Comecei a cantar essa música que fiz pra ele todos os dias, junto com as músicas antigas que ele já conhecia", relata o músico.

Na noite de quarta-feira (27), o jovem revela ter ficado surpreso ao ouvir o idoso cantarolando a música feita em sua homenagem. "Eu estava saindo do meu quarto e escutei ele cantando. Fiquei surpreso, porque não sabia que ele se lembrava da música. Fui falar com ele, cantamos mais algumas vezes e pedi para ele ir ao meu quarto, para a gente gravar um vídeo."

O vídeo do jovem com o avô viralizou nas redes sociais e tem, em menos de 24 horas, mais de 2 milhões de visualizações. O artista revela ter ficado surpreso com a repercussão. "Não esperava que fosse fazer tanto sucesso. Publiquei sem pretensão, apenas porque queria compartilhar essa descoberta sobre o meu avô."

"Não era uma música de trabalho ou algo assim. Era algo pessoal, para homenagear o meu avô", conta o artista, que há um ano trancou a faculdade de Publicidade e Propaganda para ir atrás do sonho de viver da música.

O Alzheimer e a música

Lucas mora com os avós em Porto Alegre e conta que ele e o Vô Cabelo são muito próximos. "Estamos juntos todos os dias. Sempre ajudo no que ele precisa. Meu avô sempre me incentivou muito", diz o artista.

Ele relembra que foi o responsável por descobrir o Alzheimer do idoso. "Isso foi em 2015 ou 2016. Estávamos passando de carro, voltando para casa, quando ele não parou em um cruzamento que sempre parava para voltar para casa. Eu falei para ele que deveria ter parado ali, mas ele não percebeu e não entendeu. Ali, percebi que tinha algum problema."

Dias depois, segundo o jovem, a família levou o idoso ao médico e ele recebeu o diagnóstico do Alzheimer. "Desde então, a situação foi piorando", lamenta o artista.

O Alzheimer é o tipo mais comum de demência que existe no mundo. Conforme estudos sobre o tema, estima-se que 5% da população acima dos 65 anos possam desenvolver a doença. Após os 80 anos, a estimativa sobe para 30%.

As causas da doença não são completamente conhecidas. Os tratamentos disponíveis ajudam a aliviar os sintomas, mas não impedem a evolução do Alzheimer.

Apesar das dificuldades do idoso, o jovem conta que tem tentado melhorar a vida dele nesse período. "A música é uma forma de deixá-lo bem", comenta Lucas.

Estudos apontam que a música é uma das formas para ajudar a conservar memórias de pessoas com Alzheimer, pois a memória musical é uma das últimas áreas afetadas pelo cérebro.

Segundo especialistas, as canções ficam armazenadas em lugares diferentes daqueles associados a emoções, conhecimentos e experiências pessoais — que costumam ser os primeiros afetados pelo Alzheimer.

Especialistas aconselham que pessoas com Alzheimer escutem músicas ou façam atividades que lhe tragam prazer. Esta é uma das maneiras para lidar melhor com a progressão da doença, apesar de não evitar que ela piore.

Em meio à tristeza pela doença do avô, Lucas ficou feliz em ver que o idoso foi fundamental para que o neto conseguisse repercussão na internet.

"Não tenho dúvidas de que aquele vídeo só fez sucesso por causa da presença dele. Não era algo que eu planejava, mas isso me ajudou a aumentar meus seguidores nas redes sociais", revela o rapaz.


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