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Pelo menos 19 pessoas foram vítimas do golpe do aluguel em Torres e Tramandaí

Veranistas procuraram a polícia em dezembro afirmando que pagaram parte do valor de imóvel e, depois, descobriram a trapaça
13/01/2020 GaúchaZH / Polícia Civil e OLX

O plano da família de Sabrina Ravasi Souza, 30 anos, e do marido, Douglas Correa Souza, 29, moradores de Porto Alegre, era passar 10 dias de dezembro em Torres, no Litoral Norte. Em buscas na internet, encontraram a casa que parecia ideal para quatro casais com seus filhos. As férias acabariam se transformando em um transtorno, com prejuízo de R$ 1,5 mil. Eles foram vítimas do golpe do aluguel. No último mês de 2019, a Polícia Civil do município fez, pelo menos, 10 registros desse tipo de crime. Em Tramandaí, outros nove casos chegaram ao conhecimento dos investigadores no mesmo período.

A família de Sabrina iniciou a busca pela casa para passar as férias ainda em setembro. Localizaram um imóvel em publicação no Facebook. Com três quartos, a uma quadra do mar, a casa tinha diária de R$ 350. O contato passou a ser feito por telefone e, depois, por WhatsApp. O suposto proprietário sugeriu que fechassem um pacote de R$ 3 mil pelo período e exigiu adiantamento de metade do valor. A dona de casa diz que estava receosa, mas ao mesmo tempo, empolgada. Pediu que enviassem documentos do imóvel. “ Está desconfiando de mim? Sou um senhor de idade”,  alegava o estelionatário.

— Enviaram a conta de água da propriedade e o registro do imóvel. Aparentemente, não percebemos nada. Mas também fomos movidos pela empolgação. Eles conversavam, falavam sobre a casa, o que podia levar, o que não podia. Tudo indicava que não seria um golpe — recorda Sabrina.

Com o depósito realizado, a dona de casa acreditava que estava tudo acertado. Em 30 de outubro, um familiar pediu o telefone do proprietário da residência. A partir daí, não conseguiram mais contato. Enviavam mensagens que eram visualizadas, mas não respondidas. Descobriram que os anúncios não existiam mais.

— Entrei em desespero. Avisei toda a família. Íamos num grupo de oito pessoas e cinco crianças. É um dinheiro que a gente não ganha da noite para o dia. Outros parentes fizeram contato por outros telefones e eles atenderam. Inventaram que eram de outra cidade, ofereciam outras casas. Vimos que realmente era golpe — conta Sabrina.

A família descobriu que a residência realmente existia, mas os proprietários também haviam sido enganados. Eles chegaram a anunciar o imóvel na internet e repassaram a documentação aos golpistas, que fingiram ser pessoas interessadas em alugar a casa.

— Entramos em contato com os verdadeiros donos. E descobrimos que mais pessoas caíram e procuraram eles. Teve gente que chegou com as malas na porta. Outras vítimas falaram comigo pelo Facebook, depois que expus a história em um post. Oriento as pessoas que a única coisa a fazer é ir na delegacia. E tentar aproveitar as férias de outro jeito. O dinheiro não vai ser recuperado — diz Sabrina, que após o golpe passou o período com a família em uma casa emprestada.

O caso foi registrado por eles na 16ª Delegacia de Polícia, no bairro Restinga, na Capital. No município de Torres, segundo o delegado Juliano de Aguiar Carvalho, a maior parte dos 10 casos que aconteceram em dezembro foram na época do Ano-Novo. Ele afirma que, em geral, os estelionatários costumam oferecer imóveis por valor mais baixo e exigem parte do dinheiro antecipado, por meio de depósito ou transferência.

A apuração dos casos depende de quebra de sigilos telefônico e bancário. Outro fator que prejudica a investigação é o fato de que, na maioria das vezes, o golpe só é descoberto quando a vítima chega ao Litoral. Nesse momento, o dinheiro depositado já foi sacado.

Em Tramandaí, nove casos aconteceram no mês de dezembro, no entanto, concentraram-se em dias próximos ao Natal. Na maior parte das situações, segundo a Polícia Civil, as vítimas pagaram cerca de R$ 500. Em janeiro, não foi feito nenhum registro no município.

— É o tipo de crime que, se quem aluga não tomar precauções, vai continuar acontecendo. Quando obtemos a quebra de sigilo,  muitas vezes, percebemos vários depósitos na mesma conta, o que nos leva a acreditar que existe aí uma cifra de pessoas que são vítimas e nem sequer registram — afirma o delegado Paulo Perez, titular em Tramandaí.

Residência de casal continua sendo ofertada

Há um ano, um casal de Imbé tem a casa alugada por estelionatários. Os aposentados decidiram anunciar o imóvel para veraneio. Acabaram tendo os dados captados por golpistas, que, desde então, anunciam a estadia na casa e enganam locatários. Resta ao casal explicar a trapaça para as pessoas que batem à porta de malas prontas para aproveitar o verão. O caso foi registrado na Polícia Civil. O transtorno, que foi contado em reportagem de GaúchaZH em novembro, ainda não teve fim.

Somente no mês de dezembro, pelo menos sete pessoas procuraram a residência do casal. Mas a maioria delas ainda não havia concluído a negociação. Tinham decidido ir ao imóvel verificar se estava mesmo sendo anunciado. Uma vítima, no entanto, chegou pouco antes do Ano-Novo, acreditando que havia alugado a casa. Mas o local já estava ocupado por outras pessoas que haviam acertado diretamente com o casal.

— As pessoas veem o preço mais baixo e se animam. Felizmente, vieram verificar. Quando o veranista aluga sem ver o imóvel antes, está se colocando em risco — diz a aposentada.

A idosa segue monitorando o site em que anunciou o imóvel. No entanto, após a plataforma bloquear os falsos anúncios, os golpistas começaram a utilizar outra estratégia. Utilizam fotos de outros imóveis. Sempre que vê uma casa anunciada com as mesmas características da sua, com valor mais baixo, a aposentada desconfia que pode ser golpe.

— As pessoas que vieram me mostraram as fotos. E era justamente as que eu desconfiava. Estou ficando boa em descobrir isso. Infelizmente, não tenho mais o que fazer.  Agora só posso alertar as pessoas — lamenta.

Fique atento

Desconfie

  • De preços abaixo dos de mercado. É a forma de atrair as vítimas.
  • Se o dono exigir adiantamento e tiver pressa para que o depósito seja feito.
  • Caso o proprietário não aceite atender a ligações. Muitos golpistas estão dentro de presídios.
  • Caso o dono se recusar a receber visita do locatário para conferir a casa.

Formas de tentar evitar o golpe

  • Ofertas enviadas por WhatsApp ou compartilhadas em redes sociais oferecem maior risco. Imobiliárias e sites conhecidos, nos quais se deve levar em conta a avaliação e os comentários de outros clientes, são formas mais seguras.
  • Procure se informar sobre o histórico do imóvel. Busque referências com amigos ou em comentários na internet de clientes que já se hospedaram no local. Ligue para o condomínio ou para imóveis vizinhos (busque o telefone na internet, se necessário) e onfirme a existência da casa e veracidade da locação.
  • Antes de confirmar o aluguel, se possível, procure ir até o local e falar com o proprietário. Isso evita o risco de pagar pelo imóvel que nunca esteve no mercado. Caso o suposto proprietário se mostre resistente à ideia de atendê-lo pessoalmente, desconfie.
  • Peça fotografias de dentro do imóvel. Para o golpista é mais fácil fazer fotos externas e publicar um anúncio, como se a casa fosse dele. Caso ele se recuse, desconfie. Mas o envio das fotos internas e até mesmo de documentos não exclui a possibilidade de golpe.
  • Evite fazer pagamentos adiantados. O foco do golpista é obter vantagem financeira.
  • Procure formalizar um contrato na hora da locação e verifique se os dados do contrato condizem com o negociado. Verifique se os dados conferem com os do proprietário do imóvel. Solicite uma cópia/foto da escritura/IPTU que auxilie na comprovação do real dono.

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