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Como BM e moradores usam 150 grupos de WhatsApp para combater o crime na Capital

Seis batalhões têm ajuda de moradores de diferentes bairros que informam sobre situações suspeitas
22/01/2020 GaúchaZH

A troca de informações entre comunidades e a Brigada Militar ganhou nos aplicativos de conversa novo aliado. O envio de mensagens entre PMs e cidadãos no WhatsApp tem facilitado a captura de criminosos, a verificação de situações suspeitas e até mesmo a estratégia de planejamento de ações da BM. Levantamento feito por GaúchaZH nesta terça nos seis Batalhões de Polícia Militar (BPM) da Capital mostra que existem pelo menos 150 grupos formados por moradores e policiais em aplicativos de conversa.

No 1º BPM, que atende 25 bairros e onde residem 350 mil pessoas, existem pelo menos 30 grupos de Whats, segundo o comandante, tenente-coronel Leandro Luz. Um dos bairros mais bem organizados é o Menino Deus, onde existem grupos específicos de comerciantes, empresas, bancos, moradores e até de ruas. 

Incluídos na área de atendimento do batalhão, bairros como Azenha, Ipanema, Guarujá e Espírito Santo têm seus próprios canais de conversa.

Há bairros que não possuem grupo algum. Segundo o oficial, o interesse em criar o canal de comunicação parte sempre da comunidade. Isso vale para toda a Capital: é o morador que procura o quartel mais próximo da Brigada Militar e demonstra interesse em se integrar em algum grupo. No caso específico do 1º BPM, os administradores dos grupos são o comandante do batalhão, o comandante da companhia e um líder comunitário.

— É um meio informal de comunicação, não está acima do 190. Ali se troca a característica de pessoas suspeitas, damos feedback para a comunidade de nossas ações e eles enxergam as abordagens acontecendo. Ali acontece aquela famosa sensação de segurança – explica o comandante Luz.

Prisões

Na semana passada, a informação de que um casal estava furtando objetos em lojas da Azenha foi repassada à BM por WhatsApp. Os policiais foram até o local e conseguiram prender os suspeitos.

— As pessoas conhecem quem transita no seu bairro, quem está no seu comércio, quando estão com medo ou percebem algo estranho, enviam no grupo.

Há diversas prisões e apreensões que fizemos porque fomos acionados por ali – explica o comandante do 1º BPM.

Integrante de um dos grupos, o proprietário de uma pizzaria no bairro Menino Deus, Quintino Vidalete, 61 anos, afirma que o aplicativo permite que a BM acompanhe o cotidiano na região:

— Eles se mantêm conectados conosco. A gente pensa: “não estou sozinho”. Nos dá coragem para não desanimarmos, uma vez que somos muito visados – resume.

Atendimento

Para o subcomandante do 9º BPM, major Tales Américo Osório, esse contato direto com a comunidade auxiliou na queda dos indicadores de violência da região, especialmente nos roubos de veículo.

Na área, os registros do crime se reduziram em 50% em 2019, quando comparados a 2018: foram 384 ocorrências, frente a 780 no ano anterior. O batalhão atende a 15 bairros, entre os quais Centro, Cidade Baixa, Moinhos de Vento e Bom Fim, onde vivem 196,5 mil pessoas. A região tem 46 grupos e possui policiais que cuidam das conversas 24 horas por dia.

– Qual é o serviço público que o cidadão tem o contato direto com o gestor do serviço 24 horas por dia? Sábado, domingo e feriados? Os grupos estão sempre ativos, é um atendimento direto. Se quiser reclamar do serviço, pode reclamar. Estamos abertos a esse tipo de exposição – afirma o major.

Só é permitida a entrada no grupo de quem é identificado com documento oficial e comprovante de residência. Na avaliação do subcomandante, a conversa permite que o batalhão foque em problemas reais.

– Como não temos a quantidade de PMs que gostaríamos, vamos nos locais em que sabemos que têm problema – justifica o major.

"Evitar o delito"

O titular do Comando de Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Rogerio Stumpf Pereira Junior não tem dúvidas sobre a eficiência do meio de comunicação. Segundo o oficial, é uma forma de aproximar o cidadão da Brigada com informações instantâneas.– São mais olhos que temos contendo a visão de segurança. O que nos interessa é evitar que o delito aconteça. É importante prender, mas é importante evitar o crime.

Na região norte da Capital, onde estão bairros como Sarandi, Jardim Carvalho e Mario Quintana, existem pelo menos 40 grupos coordenados pelo 20º BPM. À frente do batalhão, o tenente-coronel Fernando Gralha Nunes explica que o número de participantes do grupo é menor, no máximo 20 pessoas. Antes de serem incluídos, os integrantes, têm sua identificação e antecedentes checados:

— Selecionamos líderes comunitários que já estão em outros grupos maiores, pesquisamos o histórico dessa pessoa até para dar segurança aos demais integrantes e não expô-los – explica o oficial.

Policiais monitoram as mensagens e, quando necessário, enviam guarnição para fazer abordagem a suspeitos, verificar o motivo de um veículo estar estacionado há muito tempo em determinado local, exemplifica ele. Na Zona Sul, canal de comunicação é usado de forma direcionada. O 21º BPM participa de 14 grupos de temáticos, entre eles de patrulha escolar, comerciantes e postos de saúde.

Zona rural

O batalhão atende 160 mil pessoas em bairros como Restinga, Hípica, Lami e Belém Novo. Segundo o tenente-coronel Alex Severo também estão sendo criados grupos específicos para a área rural de Porto Alegre, atendida pelo 21º BPM.

Já na Zona Leste, os grupos de conversa ainda não ganharam força. A frente do 19º BPM, Paulo Rogério dos Santos Alberti explica que apenas dois bairros são atuantes ao usar o aplicativo: Santo Antônio e Partenon. A partir de março, pretende reunir os demais líderes comunitários da região para organizar e utilizar a ferramenta:

— Nossa intenção é aperfeiçoar esse processo. É útil, mas enfrentamos alguns problemas, como pessoas que usam o canal para solicitar o atendimento de ocorrências que não são exatamente o que a BM deveria enviar reforços.

O 11º BPM, que cobre bairros da Zona Norte tem 20 grupos gerenciados pela comunidade.

— A gente orienta que as postagens sejam fidedignas. Não queremos informações que vão criar clima de insegurança e alarde – explica o comandante, tenente-coronel André Ilha Feliú.

— A gente pede que foquem em segurança pública. Se começar discussão política, são excluídas —  complementa o subcomandante do 9º BPM, major Tales Osório.

Regras de etiqueta

O que é proibido nos grupos

  • Cards e mensagens de bom dia, boa tarde e boa noite.
  • Manifestações políticas.
  • Envio de correntes e piadas.
  • Fazer propagandas comerciais.
  • Ofender participantes.

Importância do 190

Os comandantes dos seis batalhões da Capital reforçam que contato por aplicativo de conversa não substitui o registro da ocorrência e a ligação pelo 190, que segue como o canal oficial de contato com a Brigada Militar e a forma mais ágil de contatar os policiais.

Área a área

Número de grupos em batalhões

  • 1º BPM: 30 
  • 9º BPM: 46 
  • 11º BPM: 20 
  • 19º BPM: dois 
  • 20º BPM: 40 
  • 21º BPM: 14 

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