Saúde e Bem Estar


'Uma irresponsabilidade', diz Drauzio Varella sobre prescrição de remédios sem eficácia comprovada para Covid-19 no RS

Hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina são alguns dos medicamentos oferecidos à população para tratar ou prevenir a doença. Médico esclareceu dúvidas no programa Bom Dia Rio Grande, da RBS TV.
15/07/2020 G1

O médico Drauzio Varella contestou o uso de medicamentos, como a hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, mesmo sem qualquer eficácia comprovada, para prevenir ou tratar a Covid-19. Ele foi entrevistado, ao vivo, no programa Bom Dia Rio Grande, da RBS TV, na manhã desta quarta-feira (15).

"Eu acho um absurdo. Os médicos não podem entrar nessa de ficar prescrevendo medicações sem conhecer a literatura. Eu, sinceramente, acho isso uma irresponsabilidade."

"Se você olha a cloroquina, ou a hidroxicloroquina, que é um derivado, provocam arritmias cardíacas. Dar na mão de uma população, algumas pessoas vão morrer de arritmia cardíaca. Será que você não vai matar mais gente, fazendo um tratamento, e provocando um efeito colateral indesejável, do que essa pessoa pegando o coronavírus, e tendo uma infecção. Na maioria dos casos é uma infecção que corre sem complicações maiores", explica.

Médicos e prefeituras adotaram o uso desses medicamentos no Rio Grande do Sul. A associação que representa os municípios do Vale do Caí solicitou com urgência ao Ministério da Saúde mais de 173,6 mil caixas de remédios, entre eles, 32,4 mil de hidroxicloroquina, 37,9 mil de ivermectina, outras 37,4 mil de azitromicina e mais de 65,9 mil de zinco.

"As pessoas tem que entender que essa questão da cloroquina foi politizada. Eu me lembro de uma entrevista do Donald Trump, logo no começo da epidemia que ele dizia: ' It's a great drug ' [É um ótimo remédio]. E se criou uma história em cima de um medicamento, baseada em um trabalho desenvolvido na França, que quando você olha, quem tem o mínimo de formação científica diz 'isso aqui não vale nada"', lembra o médico.

Com o avanço da doença, diferentes métodos de testagens passaram a ser oferecidos para a população. Entretanto, Drauzio Varella alerta para o crescimento no número de marcas que oferecem os testes, mas que não foram validadas e podem dar um diagnóstico falso.

"O teste que faz o diagnóstico do coronavírus é aquele do nariz, o teste chamado molecular ou RT-PCR. Se colhe com aquele cotonete material lá das fossas nasais e também da orofaringe, e é enviado para o laboratório. Quando o vírus é detectado, ele fica positivo, em geral, um semana após o sintoma. O outro teste, o da gotinha de sangue, o sorológico, ele tenta ver se você tem anticorpos. Esse teste, na primeira semana, é sempre negativo. Conclusão: esse teste não serve para diagnóstico. Outro problema é que nós temos mais de 200 marcas diferentes desse teste e nem todas foram validadas. Então, é um teste que dá falso negativo e falso positivo em grande quantidade. É um teste que mais atrapalha do que ajuda", explica.

De acordo com os últimos dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde, na terça (14), o Rio Grande do Sul tem 1.060 óbitos e 40.993 pessoas infectadas pelo coronavírus.

"A epidemia, por diversas razões, chegou um pouco mais tarde aí, mas agora o número de casos vem aumentando. Eu acho, é uma impressão minha, posso estar errado, eu acho que nós vamos ter, aí no Sul, mais uns dois meses de disseminação perigosa", projeta Drauzio.

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