Saúde e Bem Estar


Hospitais chegam a ponto crítico e Prefeitura de Porto Alegre alerta para lockdown

Hospitais registraram 262 leitos de UTI ocupados, dos quais quase 40% eram utilizados apenas por pacientes com Covid-19.
18/07/2020 Correio do Povo

Porto Alegre ultrapassou, nesta sexta-feira (17), o índice intermediário do plano de contenção da pandemia de coronavírus, com 262 leitos de UTI ocupados. A prefeitura considera, até mesmo, decretar o bloqueio total das atividades econômicas — lockdown — na semana que vem.

Em uma reunião virtual com os diretores dos hospitais de Porto Alegre que recebem pacientes com Covid-19, o prefeito Nelson Marchezan Júnior ouviu os relatos das ocupações das unidades de terapia intensiva. Em ritmo cada vez mais crescente, a curva de pacientes graves não para de subir.

“Há um mês, a Capital registrava 81 pacientes internados com a Covid-19 em UTIs. No dia primeiro de julho, o número de leitos ocupados saltou para 143. Uma semana depois, pulou para 192 — um aumento de 49 casos em sete dias. Ontem [quinta], eram mais 59 casos e, hoje [sexta], mais 11: totalizando 262 pacientes em tratamento intensivo após contrair a doença”, diz Bruno Miragem, secretário extraordinário de Enfrentamento do Coronavírus de Porto Alegre.

A quantidade de pacientes ultrapassa os 255 leitos reservados para enfrentar o coronavírus no plano de contingência municipal. O teto máximo de 383 vagas Covid, último nível do plano de enfrentamento, pode ser ultrapassado por volta de 30 de julho. A prefeitura pediu a liberação de mais leitos, mas ouviu uma resposta negativa.

“Alguns hospitais nos disseram claramente que não tem condições, que estão no seu limite. Inclusive com sugestões até radicais de parte de alguns dirigentes, sugerindo um lockdown como instrumento para frear a velocidade do crescimento dessa ocupação de leitos”, aponta.

Estrutura hospitalar perto do colapso

Uma das medidas em estudo prevê o uso de blocos cirúrgicos para tratamento intensivo de pacientes com o coronavírus, como aconteceu na Espanha e na França.

“Estamos muito provavelmente no período mais crítico de combate à pandemia. Com a sazonalidade do inverno, a sobrecarga no sistema de saúde por si só já é maior. Trabalhamos intensamente pra evitar o colapso”, afirma Taiani Vargas, coordenadora da UTI do Hospital Nossa Senhora da Conceição.

No Conceição, 98% dos leitos da UTI Covid estavam ocupados na tarde desta sexta. Dos 44, apenas um está vago. E o hospital ainda enfrenta dificuldades para contratar novos profissionais e abrir mais vagas para pacientes com a Covid-19.

“Nós temos problemas de pessoal. Já contratamos 600 profissionais e, ao mesmo tempo, tivemos 650 recusas. É um procedimento muito extenso. O nosso [setor de] Recursos Humanos está trabalhando desde fevereiro com essa rotina desgastante e estamos contratando profissionais temporários quase que toda semana. Não temos como estender as áreas Covid. Estamos trabalhando para manter esse serviço e discutindo com o município outras estratégias, porque também recebemos pacientes não Covid, e a nossa demanda por outros motivos não para. O hospital não para de receber pacientes com outras enfermidades”, destaca Cláudio Oliveira, diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição.

A Santa Casa passou a restringir as cirurgias de transplante não urgentes. A instituição informou que a medida foi tomada para evitar um colapso nos atendimentos. Mas o hospital vai liberar 88 novos leitos de UTI para atendimento à Covid-19.

“Nós já temos as equipes, que é uma das coisas mais difíceis. Estamos com as equipes, os equipamentos já estão conosco. Nossa ideia é tentar conseguir até o final da semana que vem 88 leitos”, projeta Antônio Nocchi Kalil, diretor-médico da Santa Casa.

No Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), referência para atendimento de pacientes Covid, dos 93 leitos de UTI, apenas 10 estavam vagos nesta sexta. Em média, um paciente com Covid-19 ocupa um leito de UTI por duas semanas, tempo que demora para ser liberado. E, em menos de uma hora, esse mesmo leito já recebe outro doente.

A Sociedade de Terapia Intensiva do estado faz um alerta caso a velocidade de ocupação de leitos continue no ritmo atual.

“A gente tá numa situação de considerar de colocar pacientes de UTI em bloco cirúrgico, em sala de emergência. Uma situação rara de acontecer, muito pouco usual. É bastante possível, sim, que faltem leitos de UTI para alguns pacientes. Não tenho duvidas que isso é um evento que infelizmente pode acontecer aqui no Rio Grande do Sul”, alerta Wagner Nedel.

O prefeito também fez um apelo para a população reduzir a circulação nas ruas e ficar em casa. Senão, o confinamento total será inevitável.

“Falta muito pouco para nos sobrar apenas o lockdown, que é o fechamento total de Porto Alegre. Qualquer medida que se tome tem resultado 15 dias depois. Se nós pararmos hoje, diminuiríamos a contaminação a partir de 15 dias. Ou diminuímos a circulação, ou caminhamos para o lockdown, onde os médicos e gestores vão ter que decidir quem vai sobreviver e quem vai falecer sem atendimento", diz Marchezan.

Média móvel mostra avanço de 100%

A média móvel de mortes, indicador que considera a variação entre a média atual e a média de 14 dias atrás, comprova o avanço de 100%. O percentual está acima da média do estado, que também é crescente, mas menor: 86%.

De acordo com o último levantamento da Secretaria Estadual da Saúde, a Capital tem 6,1 mil casos confirmados. Além disso, a cidade está com 90,1% das UTI ocupadas, sendo que quase 40% apenas por pacientes com Covid-19 ou suspeita de alguma síndrome respiratória aguda grave.

"Se não tivéssemos tomado as medidas em março, já teríamos a lotação que temos hoje em abril. As medidas foram tomadas na estabilização de casos e de internações. No início de junho, tivemos uma velocidade de contaminação acelerada, e desde o final da primeira quinzena não estamos conseguindo reduzir, porque infelizmente as medidas restritivas de atividades econômicas não foram capazes de diminuir a circulação. A última alternativa é o lockdown", alerta Marchezan.


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